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Colesterol elevado: tratar ou não tratar? Uma dúvida frequente de consultório

Um senhor veio ao meu consultório porque estava preocupado com o seu colesterol. Ele disse que o cardiologista já havia prescrito um remédio, mas que tinha medo de tomá-lo. Disse ainda que havia ouvido falar de muitos problemas que estes medicamentos podem trazer e gostaria de saber a opinião de um endocrinologista.
Procurei responder com fatos e estudos científicos.
A doença cardiovascular é a principal causa de morte no Brasil e no mundo e, dentre as causas, encontra-se o colesterol elevado.
A primeira vez que a relação entre colesterol e doença cardiovascular foi observada foi através de um estudo científico, o Estudo de Framingham. Iniciado em uma cidade ao leste dos Estados Unidos, em 1948, o estudo tinha o objetivo de descobrir os fatores responsáveis pela doença cardiovascular, já naquela ocasião importante causa de morte no país. Aquele estudo epidemiológico descobriu que existe forte correlação entre o LDL colesterol e a incidência de doenças coronarianas.
Aquele achado foi confirmado posteriormente por vários estudos. Ou seja, é um fato bem documentado, em várias populações no mundo. Existem outros fatores associados à doença cardiovascular, como o fumo, a hipertensão arterial e a diabetes, mas, sem sombra de dúvida, o LDL colesterol é um importante fator de risco cardiovascular.
E o que se pode fazer frente ao colesterol elevado?
Bem, é claro que mudanças na alimentação e a prática de atividade física são importantes, mas muitas vezes é necessário o uso de medicamentos, e é nesse momento que entram as estatinas, medicamentos para diminuir o colesterol.
Eficácia e segurançaa são as duas grandes preocupações em relação a qualquer tratamento e ambas já estão amplamente demonstradas por inúmeros estudos científicos feitos com esta classe de droga. Já em 1995 o estudo 4S que avaliou mais de 4000 pacientes mostrou que o uso de sinvastatina reduziu mortalidade e eventos coronarianos em pacientes que já tinham doença coronariana. Seguiram-se vários grandes estudos, como o Heart Protective Study (HPS), que avaliou mais de 20.000 pacientes durante 5 anos, o qual confirmou os benefícios da estatina na redução de infarto e de acidente vascular cerebral.

Em medicina, existe grande investimento em pesquisa sobre doenças muito prevalentes, como é o caso das doenças cardiovasculares, e analisando os grandes estudos, chega-se a dados bem convincentes de que o uso de estatina reduz em cerca de 30% o risco de eventos cardiovasculares. Ou seja, a eficácia das estatinas está cientificamente comprovada.

Todos esses estudos científicos envolvem analise de segurança com extremo rigor. Os pacientes são monitorados durante todo o estudo com visitas medicas regulares e realização de exames laboratoriais, não existindo evidencia de que as estatinas causem eventos adversos sérios. É claro que todo medicamento pode ter algum efeito colateral, mas quando comparado com os benefícios que pode se obter, não existe dúvida de que estes são superiores.
Hoje, com a internet, existem muitas informações disponíveis sobre doenças cardiovasculares, mas é preciso analisar a fonte e a origem da informação. O ideal é sempre procurar diretrizes e recomendações em sites de entidades profissionais, como por exemplo, o da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Este senhor, ao qual me referi no início, encontra-se em acompanhamento comigo já há cerca de 2 anos. Além de ter aderido à atividade física e mudado sua alimentação, ele continua tomando estatina diariamente, sem qualquer efeito colateral, e está muito satisfeito, pois sua disposição geral melhorou sensivelmente.

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